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A história e a arquitetura da rica Ouro Preto

Por: Carlos Fernandes

 Igreja de N. S. do Carmo e a tradicional Escola de Farmácia

      Visitar a cidade de Ouro Preto é uma experiência inesquecível e, embora não pareça, livre para todas as idades. Fundada no início do século XVIII, Ouro Preto é uma obra prima da arquitetura e da arte colonial brasileira, tendo sida declarada patrimônio da humanidade e tombada pela UNESCO. 
      A cidade se encontra incrustada entre montanhas, oferecendo um cenário ao mesmo tempo belo e misterioso e nos apresentando como uma cidade que mistura passado e presente, com seus casarões em estilo barroco e construídos com pedras enormes, que também caracterizam suas ruas. A impressão que nos dá chegando na cidade é que ela só pode ser visitada por pessoas bem dispostas à enfrentar ladeiras íngremes e longas. Mas com a curiosidade de sempre ver mais um pouquinho da cidade os visitantes acabam subindo mais uma ou duas. 
      Seus monumentos e obras de arte denotam uma arte própria, com grande riqueza de detalhes, refletindo a existência de artesãos e artistas que criaram alguns dos principais monumentos da arte barroca brasileira em seu estilo mineiro. Permanecem vivas como exemplo desse período de grande inspiração criadora as pinturas de Manoel da Costa Athaíde e as esculturas do genial Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. A cidade possui 13 grandes igrejas, vários monumentos e prédios públicos. Entre as principais igrejas, destacam-se as matrizes de São Francisco de Assis, N. Sra. do Carmo, de N. Sra. do Rosário, N. Sra. do Pilar e N. Sra. da Conceição de Antônio Dias. Outros roteiros importantes: Casa dos Contos, Museu da Inconfidência, Museu de Mineralogia e Museu do Oratório.  
      Dentre os principais atrativos turísticos de Ouro Preto destacam-se as manifestações culturais, populares e religiosas. Visite a feira de artesanato na praça da igreja de São Francisco de Assis e desfrute da boa culinária local. Os restaurantes, em sua maioria, servem bons pratos da cozinha mineira como o tutu, frango ao molho pardo, feijão tropeiro e o lombinho de porco. Destacamos a realização do Festival de Inverno e as festas da Semana Santa e do Rosário. 
      Ouro Preto é um mergulho na magia, na arte, na preservação de costumes e tradição de uma cidade ímpar e acolhedora. São 300 anos de riqueza histórica e cultural. Ninguém pode dizer que conhece Minas Gerias se ainda não conheceu Ouro Preto.
      Ah... os atrativos naturais também fazem parte das belezas dessa cidade.  

 

Chafariz do Rosário, ao lado da Igreja de N. S. do Rosário O surgimento de Ouro Preto

      Deve-se à sede repentina do mulato Duarte Lopes o nascimento de um dos mais representativos patrimônios históricos da cultura brasileira: Ouro Preto. Lopes era membro de um expedição e, ao sentir sede, foi até um córrego beber água (hoje conhecido como Córrego Antônio Dias). Ao mergulhar sua gamela para pegar água viu no fundo pequenos grãos pretos. A bandeira levou uma amostra para o Rio de Janeiro onde, a pedido do governador-geral, foi analisada e descobriu-se que era ouro finíssimo: ouro preto. 
      A descoberta foi como um imã para pessoas, que chegaram aos montes na região. Como a única referencia era o Pico do Itacolomi, muitas expedições fracassaram por não o terem encontrado. Até que a Bandeira de Antônio Dias, no dia 24 de julho de 1698, encontrou o monte. 
      Já com tantas pessoas o povoado passou a ser considerado vila: Vila Rica de Albuquerque. Mas com a intervenção de D. João V a vila ficou conhecida somente como Vila Rica. 
      A grande riqueza da região gerou grandes fortunas e isso gerou grandes construções. As casas, igrejas e ruas eram feitas pelos próprios moradores da cidade, que já contavam com pintores, mestres de obras, escultores e etc.  
      As cidades de Minas são as primeiras cidades do Brasil que realmente podemos chamar de cidades. As outras tentativas de urbanização viviam em função das fazendas de cana e eram pequenas e desabitadas. Com o estilo mineiro de urbanização as pessoas tinham maior possibilidade de trocar idéias entre si, por isso essa região foi de muitas expedições, conspirações e revoltas. Essas trocas de informação se dava nas igrejas e chafarizes públicos, em especial. Como a cidade não tinha água encanada diretamente nas casas, as pessoas iam pegar água nos tais chafarizes espalhados pela cidade e, inevitavelmente, trocavam idéias. Nas igrejas não é difícil imaginar como era feita essa troca de informações, já que as missas eram o maior evento social da época e tinham características de espetáculo.

 

Arquitetura Explendorosa  Arquitetura

      Na formação dos primeiros arraiais mineradores, a arquitetura era simples e rudimentar. Com o surgimento de Vila Rica, as irmandades religiosas promovem uma reformulação quase total de seus templos, e as edificações civis incorporam inovações arquitetônicas e artísticas.

Arquitetura Religiosa

      Na arquitetura religiosa, os principais templos construídos foram as matrizes, seguidas das igrejas das ordens terceiras e irmandades. Inicialmente as irmandades do Santíssimo Sacramento do Pilar e de Antônio Dias encarregavam-se da construção de suas matrizes, e as outras irmandades decoravam sua capela particular (os altares laterais) nesses templos. Posteriormente as irmandades, em constante competição, abandonam as matrizes e constroem seus templos, esmerando-se no estilo e na decoração interna.
      Com o tempo, as austeras matrizes cedem lugar às igrejas de fachadas movimentadas e de interior caracteristicamente rococó. Exemplo máximo dessa evolução é a Igreja de São Francisco de Assis, construída e ornamentada por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, com pinturas de Manuel da Costa Ataíde.

Igreja de N. S. do Rosário       Igreja de N. S. do Rosário: sua construção data do fim do século XVIII. Suas linhas curvilíneas lembram a Igreja de N. S. do Papulo, de Braga. O telhado, com a forma de uma quilha de navio, é única na arquitetura brasileira.

 

 

 

Arquitetura Civil

      Paralelamente, as edificações civis incorporam inovações arquitetônicas adotadas a partir da construção do Palácio dos Governadores, iniciada em 1747 pelo governador Gomes Freire de Andrade. A taipa e o adobe são substituídos pelo quartzito do Itacolomi, que passa a ser utilizado sobretudo nos arrremates arquitetônicos das novas construções. 
      O Palácio dos Governadores apresenta as vergas de suas portas e janelas em quartzito, abandonando o antigo padrão linear em favor da forma alteada, também chamada canga-de-boi. A partir daí, Gomes Freire promove a construção de chafarizes, pontes e outras benfeitorias, trazendo de Portugal vários profissionais especializados. Surgem nessa época os grandes prédios públicos e os fortes sobrados com cunhais de pedra hoje comuns na cidade. Na formação dos primeiros arraiais mineradores, a arquitetura era simples e rudimentar. Com o surgimento de Vila Rica, as irmandades religiosas promovem uma reformulação quase total de seus templos, e as edificações civis incorporam inovações arquitetônicas e artísticas.  

 

Praça Tiradentes As festas de Ouro Preto

      Apesar de conspirações, a queda do Barroco e o final da mineração, Ouro Preto ainda é uma cidade muito freqüentada. As festas que hoje em dia reúne o maior número de turistas são as que ocorrem na Semana Santa. 
      Jacubás e Mocotós eram duas irmandades formadas a partir de dois focos originais de povoamento. Cada foco construiu sua igreja. A igreja do Pilar foi construída pelos Jacubás e a Igreja da Conceição foi construída pelos Mocotós.  
      Atualmente a festa é feita com a população ligando as duas igrejas com um tapete de flores. Nas igrejas existem guias mirins que explicam para as pessoas as histórias da cidade. Eles poderia passar horas falando sobre as curvas e detalhes de uma só igreja. Os cicerones, como são chamados, usam termos que são usados em estudos mais profundos e podem dizer se uma peça é da primeira geração, do Rococó, ou do Barroco Tardio, tudo isso sem perder o aspecto de contadores de "causos". Muitos historiadores dizem que os cicerones inventam coisas além da História. Mas um leigo nunca vai saber onde terminam os fatos e começam as invenções. Então o melhor a se fazer é ignorar esses limites e aproveitar estas horas de histórias com os garotos.  
       Apesar do ar antigo a cidade não parou no tempo. A média de idade dos habitantes é muito baixa por causa do número de estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). A Universidade reúne estudantes de todo o país que vão para lá se hospedar em repúblicas. Estas que existem aos montes espalhadas pela cidade. Nos feriados a média de idade abaixa ainda mais com os turistas, na maioria jovens, que chegam procurando as festas. Eles vêm de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro e são em tal número que as empresas de viação são obrigadas a aumentar a número de ônibus para o local. 
      A Praça Tiradentes, a Rua São José e lugares com alto-falantes onde se toca música são os mais concorridos e ficam lotados de gente. Um percurso que demoraria 5 minutos, nos dias de movimento dura até 20 minutos. 
      Ligando a Praça à Rua São José existe a Rua Direita, um dos pontos mais badalados. Muitas batucadas e pessoas nas calçadas aparecem por lá.  
      Além da euforia há outro fator que ajuda nas subidas e descidas em Ouro Preto, é a pinga. Lá se mistura pinga com vários sucos e frutas. Uma dessas misturas é a "garapinga", uma mistura de garapa de cana com a pinga. Segundo os cariocas é boa porque tem álcool e glicose ao mesmo tempo, ou seja, a doença e o remédio. 
      Ao cair da noite a pinga já não funciona mais. O que fazer então? Os foliões apelam para o caldo de feijão, de mocotó e até para o "caracálcio". Esta é uma bebida a base de cerveja preta, gema de ovo, mel e outros tais ingredientes secretos. Dizem que os três combinados (feijão, mocotó e o "caracálcio") prolongam a folia por mais tempo. 
      O Teatro Municupal ainda é utilizado para a realização de eventos na região, sendo utilizado para o lançamento do carro Palio da Fiat. Este teatro é um orgulho para a cidade de Ouro Preto por ser o Teatro Municipal mais antigo em funcionamento no país, estando no Guiness Book (O livro dos recordes). Este, em seu interior, é em forma de lira. 
      Além do artesanato latino americano (pois muitas pessoas que vão para Ouro Preto não são apenas turistas) há o tradicional artesanato de pedra sabão, comprado pelos turistas como souvenieres. O visitante, se gostar de "histórias", podem se deliciar conversando com hippies e latino americanos ouvindo-os falar sobre o porquê de fazerem bonecos em forma de gnomos, por onde já passaram ou outros assuntos. 
      Mas Ouro Preto não é só ouro, diamantes, igrejas, santos e festas. A cidade possui também um Observatório e um incrível Museu de Mineralogia. O Observatório de Ouro Preto é uma construção de arquitetura antiga e possui uma cúpula onde guardam o seu telescópio utilizado para as observações. O Museu de Mineralogia é um local onde estão expostos vários exemplares dos mais diversos minerais. Lá nós podemos ver minerais não só de Minas Gerais, mas de várias partes do mundo. 
      Então, se você tiver um tempo livre, vale a pena conhecer esta cidade que tem tantas histórias, novas e antigas. Aproveitar para se divertir com o melhor que ela tem para te oferecer, visitar o máximo de lugares possíveis e deixar um pouco de lado a preocupação. O melhor é você não se importar em onde acaba a realidade e começa a fantasia e curtir a região que, como já vimos, é maravilhosa!

 

Como Chegar

      Partindo de Belo Horizonte, percorrem-se cerca de 30km ao longo da BR-040 e, a seguir, toma-se a BR-356, numa extensão de aproximadamente 66km até Ouro Preto.
      Partindo do Rio de Janeiro, percorrem-se 380km na BR-040, passando-se pelas proximidades de Petrópolis, Juiz de Fora, Barbacena, Conselheiro Lafaiete e Congonhas do Campo. A seguir, toma-se a BR-356, a cerca de 66km de Ouro Preto.  
      Para quem procede de São Paulo, o caminho é a Fernão Dias, BR-381. Há duas opções: vai-se até Belo Horizonte e segue-se o trajeto indicado acima ou, na BR-381, após percorrer cerca de 362km, toma-se o acesso a Lavras, à direita, pela BR-265, passando-se por São João del Rei e alcançando-se, a seguir, a BR-040, nas proximidades de Congonhas do Campo. Segue-se então o trajeto de quem vem do Rio.